V
Uma das habilidades sobre_artificiais humanas é contar histórias.
Pelas histórias o homem atribui sentidos a coisas sem sentido algum. A mulher
também. Pelas histórias a mulher desatribui sentidos a coisas com muitos vários
sentidos. O homem também. Pelas histórias a humanidade faz da história a
própria história. Uma história imprópria. Pelas histórias, quase sempre
meladas, algo é amado. Pelas histórias, sempre sempre melecadas, algo é odiado
até a enésima degeneração.
IV
Quase todo mundo – desse pequeno mundo – quase já ouviu falar, quase
já decorou, quase já contou e, quase certamente, quase acreditou em uma quase
história: que cada pessoa é uma grande vencedora desde antes da concepção,
pois, dentre zilhões de zilhares de ex-permas, foi a única que venceu a grande
olimpíada mortal de vida, da vinda à luz. O único esperma que, ao final da
carreira, combatido o bom combate, pôde e pode dizer: vim, vi, venci e vivi.
Esta historieta serve de mote para autoajuda prestada por terceir@s para,
inclusive, levantar a baixa autoestima que, pela lei da outrajuda, deve estar
sempre em alta.
III
Mas, e se a historieta fosse contada de um modo um pouquinho
diferente do convencional. A cada período, conforme os momentos dos deuses, em
uma terra muito distante da Terra, a Espermolândia, como forma de expiar o
inexpiável, um esperma era sacrificado em nome de todos os espermatozoides.
Assim, entre os tetra zilhões de espermatozoides, por regra, um, apenas e tão
somente um, era prêmio-condenado a fecundar um óvulo e a se tornar um mutante
humano, um misto-não-híbrido de óvulo com espermatozoide. Seria um humanóide.
II
O esquematozóide é mais ou menos o seguinte: em vez de ‘falsificações
da história’, por que não inversões das histórias? Ou invenções da história? Dá(ria)
cada história, cada ex-tória! Estore com a história – history’store: Não conte
até zero pra contar outra história que não a história contada que sempre [se]
contou.
I
Por intermédio da história... humanizações... desumanizações. Por
meio da história, quantas histórias, historietas, marios, pedras, antonietas.
Mas, o que é a história? Algo muito perigoso. Algo muito milagroso. Algo muito
plástico-explosivo. Colocar a história à prova: uma questão de plasticidade
cerebral.
VI
‘V de vingança’ ou V de vitória? Afinal, a rigor, em última
instância, em essência, qual a fragrância da [sua, minha? nossa!] história?
XI!
Finda a história,
Fim da história.
Sem aspas, por favor. As aspas devem ser poupadas: na Caderneta de Poupança
Haspa.
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