domingo, 2 de fevereiro de 2014

meh

todos os santos, encapetados e insanos dias
olho, absorto, para o HEM, imponente, não impotente
fico boquiaberto
sinto-me excluído
por não ter sido descoberto por psicólogos e pelas psiquiatras – os entendidos de_mentes!
colocadores de molduras – enquadradores – e
analistas ‘carimbadores malucos’ de condutas, (anti)sociais
só os seus padrões de conduta são válidos
olho para o HEM
imagino – por_que não vejo? – a imagem de pessoas no internato
por decisão de uma ‘mente brilhante’
vejo – por_quê posso con|viver e esbarrar, olhar nos olhares –
um bando de pato_lógicos
no externato
Machadão: quem está protegido de quem?
psiquiatria, psicologia – deuses de_mentes : headhunters sociais
alguém já viu o carrasco guilhotinar o próprio pescoço?




manta

nas cidades, urbes
no rural também
antenas se atropelam,
te acotovelam,
nos interpelam

grandes antenas
antenas médias
antenas pequenas

de celular, celulite, de te vê. de rádio, não mais.

todas antenadas
em silêncio
deblateram
invisíveis, suas potentes línguas
levam, trazem
notícias, fofocas – qual a diferença?
dinheiros, fotos
extrato do banco, estrato de tomate

as antenas – panotípicas
estão a tudo olhar lá de cima
nada escapa ao olhar da grande antena, da grande irmã Selétile
oniscientes, onipotentes, onipresentes,
as antenas tudo sentem, pressentem, tudo captam, tudo veem

antena
antenantes
antenados
antenudos

seus segredos mais mentirosos cuspidos nos esgotos do feiz-sebuq – um buqado de feiçudos mantenados em você

vi, giar é punir
fofosqueiros imundos: uni-vos.



liros

“olhai os lírios do campo”?
que delírio, ver isso!
só tomando chá de lírio
no campo  quase não há mais nada
só commodities agrícolas
cana-de-açucar, masmais pro etanol
soja, masmais pro
laranja, mas pro...
no campo, as flores são simbólicas:
a rosa do infectante, o cravo da transgenia
e uma caveira a sorrir:

cruz! credo!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

inça

o cachorro, sarnento, moribundo, todo danado,
sem-renda, sem-trabalho, sem-teto, sem-terra, sem-tudo, sem-nada, sem-lenço, sem-documento,
esforça-se,
tenta dar a vida, tenta dar o sangue, mas...

entra na frente de um fênêmê trucado, carregado até a estratosfera de placas de mármore, em plena ladeira abaixo...

se joga na frente do busão centro-perifa, quando o motô tentava dar um rpm para pegar o sinal aberto...

pula na frente da coral que, sirenando, vai enfrentar mocinhos-bandidas...

tenta enfiar a cabeça embaixo da roda traseira da moto-táxi que carrega uns 350 quilos sobre ela

tenta entrar embaixo das patas de um cavalo que, chicoteado na cara, vem em alta rotação

todas as tentativas frustradas

tudo o que conseguiu foi chamar a atenção de meliantes-transeuntes, que chamaram uma ONGA para dar um jeito nele, um cãozinho adoradoqueridomelhoramigodohomem

A dona da ONGA pousou para o jornal, cliques e claquetes, holofotes eticéteretown
abusou da responsabilidade social
como forma de garantir seu marketing pessoempresarial.

Levaram-no para um lavapet,
tingiram sua pelagem,
de afixarem nela berliques e berloques ®.
Agora, diziam, era um cãozinho feliz, de família direita,
tinha um lar, carinho, comida, fama e tudo que alguém realizado e de sucesso poderia ou gostaria de ter.

Depois das inúmeras tentativas frustradas
de suicídio e estando, agora, prisioneiro da agonia,
 não lhe restou outra opção,
a não ser refletir todos os santos santodias.

Relembrou daquela fita de que um dia se procuraria pela morte,
mas
não sea encontraria.

Era um cachorro quasateu, meio livre-pensador,
era.
agora, se converteu
aderiu ao ecumenismo
e espera aprender esperanto
mesmo não mais tendo esperanças
de ir proutro andar

mas... não conseguiu

talvez mude para o ecomenismo, ecologia tá na moda!
ou se filie ao ecomunismo
sem dúvida aparecerá alguéns para matar e nenhuma ONGA prajudar.

Alguém que não dá conta nem de [se] suicidar
só tem que se matar,

pen sou.

encabulus

ele acorda
com dor
toma remédios, drogas
toma café
tempo depois
toma remédios, drogas
toma o almoço
toma remédios, drogas
tempo depois
toma café
tempo depois
toma remédios, drogas
toma a janta
toma remédios, drogas
pinga colírio nos olhos
                                                                          espera o sono, que não vem                                                                         
à não-espera do dia seguinte, do seguinte dia
cuja rotina, rotineira, é pré-sabida com antecedência eternal
sabendo que tudo será fatal e igualmente igual
na melhor das hipóteses, uma piora , porém, não geral, não letal
drogas!, que remédios há para, da rotina-rotineira-da-vida-do-dia-a-dia, o tédio?
em te dia do
todo dia
todo o dia
todos os dias
o dia todo
numa vida sem sentido de se viver
qual o sentido de viver atribulado na busca de um sentido que não se sente?

encabulado

dofe

Pelo centro da cidade,
Pleno centro da cidade,
numa das principais avenidas.
Semáforo abre. Fecha. Fecha. Fecha. Abre.
Vermelho. Amarelo. Verde.
Os carros não se mexem.
Ninguém buzina, ninguém reclama.
Nem um alguém está nem aí para o sinal do semáforo.
Crise de autoridade! – dirião os mais conservacionários!

Não, não. É domingo! É dia de feira. Feira dominical.
Momentos separados, pós sacro, santos.
Despoi da liturgia, comer um pastelecoteco com um cardo de caninha.


Durkhaexplica?

didu

Pelo fim da ditadura das certezas.
Depilação sem anestesia.
Por mais dúvidas.
Pela ditadura democrática das dúvidas.
Ditadúvidas já!


Tem certeza?